terça-feira, 9 de novembro de 2010

W.H. Auden

"Parem todos os relógios, cortem o telefone, 
lancem um osso suculento ao cão para que não ladre mais, 
Emudeçam os pianos e com um tambor abafado, 
tragam o caixão, deixem vir os enlutados. 
Deixem os aviões andar em círculos, a gemer em cima em alvoroço, 
a escrever no céu a mensagem "Ele morreu". 
Ponham laços crepe ao pescoço das pombas, 
Deixem que os polícias sinaleiros usem luvas de algodão preto. 
Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste. 
A minha semana de trabalho e o meu descanso ao Domingo, 
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha fala, a minha canção; 
Pensava que o amor ia durar para sempre: estava enganado. 
Não são precisas estrelas agora; apaguem todas, 
Arrumem a lua e desmontem o sol, 
Esvaziem o oceano e varram a madeira; 
Porque agora nada serve para coisa alguma".


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