"Parem todos os relógios, cortem o telefone,
lancem um osso suculento ao cão para que não ladre mais,
Emudeçam os pianos e com um tambor abafado,
tragam o caixão, deixem vir os enlutados.
Deixem os aviões andar em círculos, a gemer em cima em alvoroço,
a escrever no céu a mensagem "Ele morreu".
Ponham laços crepe ao pescoço das pombas,
Deixem que os polícias sinaleiros usem luvas de algodão preto.
Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste.
A minha semana de trabalho e o meu descanso ao Domingo,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha fala, a minha canção;
Pensava que o amor ia durar para sempre: estava enganado.
Não são precisas estrelas agora; apaguem todas,
Arrumem a lua e desmontem o sol,
Esvaziem o oceano e varram a madeira;
Porque agora nada serve para coisa alguma".
Walt Whitmann
"Quero fazer os poemas das coisas materiais,
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade."
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho...
Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
- existirão milagres mais estranhos?"